I’m back!!

Eu sei, eu sei, tenho deixado-vos abandonados. Têm sido uns meses cansativos! Mas quero partilhar o que tem sido estes últimos tempos. Em dezembro fui até Cabo Verde passar o Natal com a minha família. Como já vos disse, viajar é das coisas que mais gosto de fazer! Quero partilhar um pouco do que foi estar duas semanas nesse lindo país. Portanto, os próximos posts estarão focados nisto. Vou começar pelo “Soncent International Festival” que foi a 17 de dezembro, três dias depois de ter chegado. Foi o primeiro festival e promete mais para os anos que aí vêem.

Devem estar a pensar, o que é Soncent e porque é que é internacional? É um nome um pouco invulgar, mas Soncent significa São Vicente, que é uma das ilhas de Cabo Verde. Este festival foi de reggae e a atuação principal foi de “Mo’Kalamity & the Wizards”. Como convidados, Omar Perry e os Reggaebus Sound System invadiram o palco. Omar Perry é um conhecido cantor jamaicano. Já os Reggaebus Sound System, vieram da Bélgica.

A banda The Wizards é francesa e a cantora Mo’Kalamity é cabo-verdiana, o que deu um toque especial ao festival. Sempre muito alegre e com entusiasmo, ela manteve-nos a dançar a noite inteira. Cantou as suas canções mais conhecidas, trouxe música nova e surpreendeu o público com música na sua língua materna. Sempre presente esteve a alegria e confraternização.

O festival começou com DJ Fatboy e Reggaebus Sound System a dar início à festa. Com o avançar das horas, o espaço aberto foi enchendo. Já não havia tanto espaço perto do palco, mas isso já não importava, todos queríamos desfrutar da música e passar um bom tempo com os amigos.

No meu caso, fui acompanhada da minha prima. Ela estava à procura de companhia para o festival e eu não perdi a oportunidade de juntar mais uma memória ao lado dela. De todos os primos somos as únicas meninas e cada tempo que temos só as duas é sempre uma alegria.

Ao terminar a noite, a cantora e a sua banda fizeram um pequeno tributo à Cesária Évora. Deram um toque de reggae à musica desta tão afamada cantora e tornaram este festival diferente.

Percebi que há momentos que se tornam eternos quando passamos na companhia das pessoas corretas.

“One Word, One Love, One Heart”

A primeira vez que o meu mundo caiu

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“A minha vida teve uma volta de 180 graus aos oito anos. Mudei de uma realidade para outra completamente diferente.”

É assim como me apresento, mas que mudança é essa? Aos oito anos o meu mundo desabou. Até parece um exagero, vindo de uma criança, mas essa é a melhor palavra que descreve o que senti.

Mudar de casa não é fácil. Na realidade é cansativo. Pôr tudo em caixas, tirar tudo de caixas. Ver a melhor forma de arrumação e como mudar tudo de um lado para o outro, cansa em demasia. Mudar de escola também não é fácil. Fazer novos amigos nunca é. Pelo menos para mim foi sempre complicado. Aquela pergunta que sempre me acompanhou é: “como me aproximo?” Agora, mudar de casa, de escola e de país é ainda mais complicado. Pior quando vais para um país em que nem o idioma sabes.

Lembro-me perfeitamente do dia em que os meus pais deram-me a notícia que tudo ia mudar.

Fomos ao centro comercial. Estava a comer e perguntaram-me, “onde gostavas de ir de férias?”. Tinha oito anos, o meu sonho sempre foi ir a Paris!Claro que foi uma opção e Espanha também não ficou para trás. Mas de repente foi-se para mais longe. A pergunta já não era onde gostava de ir, mas se gostava de ir para a América Latina. Quem não gostava de ir conhecer Brasil, não é? Claro que disse que gostava. E, de ir de férias, a proposta já era ir viver na Argentina.

Foi duro, comecei logo a chorar. Lembro-me perfeitamente de ter posto a cabeça entre os braços sobre a mesa e não querer levantar mais para as pessoas não verem que estava a chorar. Não queria deixar os meus amigos da escola. Não queria deixar a minha segunda família da igreja. Não queria deixar a minha casa. Queria o meu cantinho.

Uma vez que aceitei a nova realidade, comecei logo a mentalizar-me que não ia aprender um idioma, mas dois. Foi um desafio novo, ou até o meu primeiro grande desafio nesta vida. Comecei a aprender inglês com os jogos interativos e a esperar que o espanhol não fosse tão difícil de entender e aprender.

24 de Agosto de 2005 ficou marcado para o resto da minha vida. Saber que estava a entrar na zona de embarque do aeroporto sem bilhete de regresso foi terrível. Não queria embarcar para o desconhecido. Pisei a terra argentina a 25 de Agosto e desde esse dia tudo mudou. Deixei de ser a Nicole que conhecia apenas uma realidade e comecei a conhecer muitas. Deixei de ser a Nicole que tinha os mesmos amigos de sempre e comecei a procurar novos. Deixei de ser a Nicole sempre muito mimada para aquela que ninguém conhecia. Tornei-me numa Missionary Kid.

Mesmo com tudo isto que mudou, eu cresci. Em vez de fechar-me no meu mundo, aproveitei para desfrutar esta vida ao máximo. Aprendi a comunicar-me com as pessoas à minha volta. Criei novas amizades. Novas lembranças. Se bem que nem tudo foi um mar de rosas e tive de lidar com certas realidades, foram 6 anos de aprendizagem.

Foram 6 anos que não mudo por nada.

Na UAL o Novo Capítulo Começou

 

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Com o meu segundo ano no ensino superior a começar daqui a nada, acho que está na hora de contar como tem sido esta experiência para mim.

Há um ano comecei o ano lectivo com muitas expectativas. O meu décimo segundo ano foi tudo menos memorável. Estive longe dos meus colegas, tive de estudar online com pessoas que não conhecia e não saía muito de casa. Das dezenas de coisas que se faz no último ano da escola, eu não fiz um terço. As únicas coisas que consegui fazer foi a viagem de finalistas e, claro, a minha graduação. Passei o ano inteiro a estudar em casa e já estava com uma vontade enorme de conhecer pessoas novas e ter experiências diferentes!! Essa foi uma das razões que me levou a entrar na tão afamada Praxe.

Honestamente, eu acho todo o processo da praxe muito interessante. É próprio de Portugal e ter a oportunidade fazer parte de algo cultural chamou a minha atenção. O facto de existir uma hierarquia e haver um processo para utilizar o traje académico, é algo que nunca tinha visto noutro lado. Ao contrário do que muitos dizem, a praxe acaba por ser divertida e novas amizades são formadas. Tem as suas coisas boas e más, mas o que é que não tem isso? Até estudar tem o seu lado positivo e negativo. Mesmo com a diferença de opiniões que apareceram ao longo do ano, fiquei muito feliz de ter tomado a decisão de participar na praxe e ficar até ao fim.

Praxe à parte. Estudar em Portugal é mesmo emocionante! Não me arrependo nem um bocadinho de ter ficado aqui. Eu estudo mesmo no centro de Lisboa e isso é das coisas mais encantadoras. Amo a minha cidade. Não deixo de parecer turista sempre que caminho pelas ruas lisboetas. Estar a 5 minutos da baixa da cidade é algo que não teria ao meu alcance se tivesse escolhido ir para outro lado.

Talvez está na hora de falar um bocadinho sobre os meus estudos, não? Escolhi seguir o caminho das Ciências da Comunicação. É um mundo que pode trazer-me inúmeras experiências e melhorar o conhecimento que fui adquirindo nos últimos anos por viver fora. Gosto de falar com as pessoas e gosto de conhecer coisas novas e poder partilhar com o mundo. Tenho conhecido professores mesmo geniais! Eles têm feito que este tempo de licenciatura seja uma boa experiência. Existem professores que conseguem fazer que realmente tenha vontade de acordar cedo para aparecer nas aulas.

Estou ansiosa por começar este novo ano e criar mais memórias ao lado daqueles que me têm acolhido com tanto amor. Também estou ansiosa por aprender mais e perceber melhor o mundo no qual quero dedicar o resto da minha vida.

 

19 going on 20

Este fim de semana faço 20 anos. Cada ano é uma celebração e gosto muito de aniversários! Sejam os meus anos ou os dos meus amigos, gosto de poder celebrá-los. Cada ano é um capítulo que acaba e outro que começa. É um “restart”. Este foi um ano de muitos pontos altos, mas os pontos baixos não faltaram. Na verdade, comecei os meus 19 numa altura bastante triste, mas estava decidida a mudar isso durante o ano. E consegui. Este ano estou muito entusiasmada para aquilo que aí vem.

Eu e uma amiga tínhamos uma piada em que dizíamos que tínhamos 12 e 3/4. Porquê 3/4? Não tenho ideia, mas era a nossa forma de não crescer. Vimos muitos amigos a ficarem mais “chatos” com cada ano que passava e não queríamos isso. Queríamos manter a nossa criança bem viva. Queríamos continuar com as nossas coisas doidas mesmo depois de muitos anos. Queríamos sentir que não deixávamos de ser interessantes mesmo depois de ter 14 ou 17 anos. Portanto, eu continuava a dizer isso e a querer manter essa loucura em mim. Queria manter a criança que canta Floribela aos altos berros em mim.

Mas este ano há algo diferente. Não sinto que tenho de dizer que tenho 12 e 3/4 para manter a criança em mim. É um ano onde sinto-me bem onde estou. Sinto-me bem com as pessoas que tenho à minha volta. Sinto-me bem com a realidade em que estou a viver. Sinto-me bem com a ideia de saber que por mais que não tenha todos os meus amigos presentes, tenho os que ganharam um espaço especial no meu coração.

Desde que fiz 15 anos que não estou tão entusiasmada com os meus aniversários. Era sempre um drama para mim! “Não quero crescer” ou “estou a ficar velha”. Claro que quando o dia chegava isso tudo passava ao lado, mas os dias anteriores eram insuportáveis. Este ano sei que isso não vai acontecer. Este ano quero ter 20 e quero ter o prazer de ter 20 mesmo com as minhas loucuras.

Que sejam muitos mais anos a celebrar as bênçãos de Deus na minha vida!