A primeira vez que o meu mundo caiu

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“A minha vida teve uma volta de 180 graus aos oito anos. Mudei de uma realidade para outra completamente diferente.”

É assim como me apresento, mas que mudança é essa? Aos oito anos o meu mundo desabou. Até parece um exagero, vindo de uma criança, mas essa é a melhor palavra que descreve o que senti.

Mudar de casa não é fácil. Na realidade é cansativo. Pôr tudo em caixas, tirar tudo de caixas. Ver a melhor forma de arrumação e como mudar tudo de um lado para o outro, cansa em demasia. Mudar de escola também não é fácil. Fazer novos amigos nunca é. Pelo menos para mim foi sempre complicado. Aquela pergunta que sempre me acompanhou é: “como me aproximo?” Agora, mudar de casa, de escola e de país é ainda mais complicado. Pior quando vais para um país em que nem o idioma sabes.

Lembro-me perfeitamente do dia em que os meus pais deram-me a notícia que tudo ia mudar.

Fomos ao centro comercial. Estava a comer e perguntaram-me, “onde gostavas de ir de férias?”. Tinha oito anos, o meu sonho sempre foi ir a Paris!Claro que foi uma opção e Espanha também não ficou para trás. Mas de repente foi-se para mais longe. A pergunta já não era onde gostava de ir, mas se gostava de ir para a América Latina. Quem não gostava de ir conhecer Brasil, não é? Claro que disse que gostava. E, de ir de férias, a proposta já era ir viver na Argentina.

Foi duro, comecei logo a chorar. Lembro-me perfeitamente de ter posto a cabeça entre os braços sobre a mesa e não querer levantar mais para as pessoas não verem que estava a chorar. Não queria deixar os meus amigos da escola. Não queria deixar a minha segunda família da igreja. Não queria deixar a minha casa. Queria o meu cantinho.

Uma vez que aceitei a nova realidade, comecei logo a mentalizar-me que não ia aprender um idioma, mas dois. Foi um desafio novo, ou até o meu primeiro grande desafio nesta vida. Comecei a aprender inglês com os jogos interativos e a esperar que o espanhol não fosse tão difícil de entender e aprender.

24 de Agosto de 2005 ficou marcado para o resto da minha vida. Saber que estava a entrar na zona de embarque do aeroporto sem bilhete de regresso foi terrível. Não queria embarcar para o desconhecido. Pisei a terra argentina a 25 de Agosto e desde esse dia tudo mudou. Deixei de ser a Nicole que conhecia apenas uma realidade e comecei a conhecer muitas. Deixei de ser a Nicole que tinha os mesmos amigos de sempre e comecei a procurar novos. Deixei de ser a Nicole sempre muito mimada para aquela que ninguém conhecia. Tornei-me numa Missionary Kid.

Mesmo com tudo isto que mudou, eu cresci. Em vez de fechar-me no meu mundo, aproveitei para desfrutar esta vida ao máximo. Aprendi a comunicar-me com as pessoas à minha volta. Criei novas amizades. Novas lembranças. Se bem que nem tudo foi um mar de rosas e tive de lidar com certas realidades, foram 6 anos de aprendizagem.

Foram 6 anos que não mudo por nada.

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Uma Viagem à Metade do Mundo

Quero espalhar um bocadinho do meu amor por Quito. É uma das cidades que mais gosto da América Latina. Vivi lá três anos e sempre tinha alguma nova coisa para conhecer. Hoje vou focar-me mais na sua geografia.

Quito é uma cidade que está rodeada por vulcões e foi fundada perto de um. Ao seu redor encontram-se os vulcões Cotopaxi, Cayambe, Antisana, e Pichincha Este último é onde Quito foi fundado e tem três elevações: o Rucu Pichincha, o Guagua Pichincha e o Condor Guachana. Estes vulcões agora estão extintos ou adormecidos, exceto o Cotopaxi que tem atividade vulcânica desde o ano passado.

São estes vulcões que trazem uma vista única a Quito. Quando o céu está limpo,  é possível ver-se pelo menos três picos nevados. O Cotopaxi é o mais comum e o mais fácil de ver durante o dia. É das coisas mais lindas que gostava de ver. Mesmo depois de tanto tempo nunca me cansei de ver o Cotopaxi na ida para escola. Era tão lindo perceber como da cidade via-se ao longe algo tão grande. Quando se sobe aos montes mais altos, conseguimos ver mais do que os quatro vulcões que rodeiam Quito, como por exemplo muitos dos vulcões do Cinto Vulcânico dos Andes.

Mas Quito também tem das suas atrações turísticas no centro da cidade. O que não faltam são igrejas, muito lindas por acaso, e parques. São tantas as igrejas que existe uma rua que se chama “Calle de las 7 cruzes”, onde podemos conhecer sete igrejas históricas do centro de Quito. A “Basilica del Voto Nacional” é das mais importantes e conhecidas da cidade. Os parques também são muito bonitos para passar lá a tarde com amigos.

Apesar destas lindas coisas que Quito oferece, nenhum destes lugares é o meu favorito!. Na verdade tenho dois naquela cidade! O primeiro é o teleférico. Este é um teleférico, desculpem a redundância, que nos leva ao ponto mais alto de Quito, o vulcão Pichincha. Desde lá de cima podemos ver a cidade inteira! Quer dizer, nem dá para ver o princípio e o fim de quão extensa que é. E com um dia bem planeado,  podemos fazer uma caminhada que nos leva até ao Rucu Pichincha. Aqui entre nós, tentei fazer essa caminhada uma vez, mas não foi lá grande ideia! Nem metade do caminho consegui fazer… Caminhar a mais de 4.000 metros sobre o nível do mar custa a esta menina.

O meu segundo lugar favoritoé o Panecillo. Este é um pequeno monte mais alto no centro da cidade. Lá puseram uma virgem à qual lhe deram o nome de “Virgen de Quito”. Mais uma vez, desde esse lugar podemos ver a cidade para o norte e para o sul e para quem a conhece, é possível identificar alguns lugares. Divertia-me muito em fazer isso. Contemplar a beleza dessa cidade era das coisas que mais gostava de fazer.

Espero um dia poder voltar lá. Não só a Quito mas ao Equador. Nunca se sabe o que se pode encontrar por lá.